Essa edição é especial por se tratar de um email enviado por nosso querido colunista Dr. Aldemar Silva Santos o medico que recebe o espírito do Dr. Ranca Pregas.
Ao acompanhar a Coluna Causos de um Pegador me lembrei de um fato que aconteceu comigo nos anos 80. Tinha acabado de me formar e fui trabalhar como clínico geral em um posto de saúde em Itatinga uma cidadezinha a 221 Km de São Paulo. Na época devia ter uns 6 mil habitantes (hoje tem 15 mil). Cheguei na cidade pela rodovia SP-280 e fui levado até o posto de saúde por um caminhão basculante. Como era o novo médico me deixaram ir na frente junto com o motorista, o restante das pessoas foram amontoados na caçamba. Não tinha asfalto, a água era retirada de poços, esgoto nem pensar e o posto de saúde estava caindo aos pedaços. Assim que cheguei fui recepcionado por Dona Almérida, uma senhora de uns quarenta e poucos anos, viúva e que ficou responsável pela administração do posto, pelo simples fato de ter concluído a terceira serie primária, sendo esse o maior nível de escolaridade dentre todos os habitantes, excetuando-se o prefeito é claro, esse nunca vi e até hoje não sei quem é.
Comecei minhas funções de clínico geral cuidando de perebas, micoses e feridas em geral, depois de algum tempo a população passou a confiar mais em mim e passei a tratar dos furúnculos, doenças venéreas e problemas com vermes. A única diversão na cidade era uma padaria na praça central que vendia cerveja, cachaça ao som de uma vitrola tocando musica sertaneja. Aos sábados tinha briga de galos atrás da leiteria. Fiquei indo do posto médico para a pensão onde dormia, durante uns 3 meses direto. Não assistia TV nem ouvia rádio, apenas comia, dormia, atendia no posto e lia jornal aos domingos (o motorista do caminhão basculante trazia o jornal de outra cidade). Após esses 3 longos meses comecei a ficar meio louco, já estava cantarolando as músicas sertanejas que ouvia na vitrola da padaria e apostando nas rinhas de galo. Também já começava a sentir os efeitos da abstinência sexual. Em Itatinga todas as mulheres eram casadas ou menores de idade, tentei me engraçar com uma ou outra que eu enquadrava na categoria estética de “essa quebrava meu galho mesmo sendo um dragão” ou “essa até passa se eu fechar os olhos e não apalpar demais” mas mesmo assim não consegui nada. Sempre que tentava algum gracejo recebia a mesma resposta: - “Ai! que é isso doutor!”. Depois de 4 meses já havia partido para o assédio às de 18 e 17 anos, mas me contive logo nas primeiras besteiras que falei. Antes que fizesse alguma burrada e arrumasse uma confusão dos diabos resolvi tomar medidas enérgicas. Era isso ou então ficaria louco.
Partindo do princípio sagrado de que toda cidade tem um “Puteiro” parei um dia à noite na padaria e depois de algumas cervejas perguntei para um bêbado:
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